Notinhas astronômicas
Ouço pela milésima vez alguém dar como exemplo de opinião equivocada que foi corrigida: “não é o Sol que gira em torno da Terra, é a Terra que gira em torno do Sol”.
Acontece que estabelecer uma oposição entre esses dois movimentos não faz sentido, pois não são equivalentes.
Ora, a volta que o Sol parece dar no céu leva apenas 24 horas, e não um ano inteiro. Ou seja, é um efeito que decorre não do giro orbital da Terra, mas do seu giro em torno de si mesma.
A alternativa a “o Sol dá a volta da Terra” não é “a Terra dá a volta do Sol”, e sim “a Terra gira como um pião”.
Continha interessante: se o Sol estivesse mesmo girando em volta da Terra, estaria percorrendo uma distância de uns 940 milhões de quilômetros em um dia, e teria portanto uma velocidade de uns 40.000.000km/h, uma enormidade de 4% da velocidade da luz.
Para essa conta usei que a distância da Terra ao Sol é aproximadamente 150 milhões de quilômetros. Mais de 2 mil anos atrás, Hiparco estimou essa distância em 3 milhões de quilômetros. Não está mal, considerando que nem existiam telescópios, era tudo no olho.
Até onde se sabe, Hiparco foi a primeira pessoa a identificar a precessão do equinócio, fenômeno que produz as famosas eras astrológicas: vivemos uma era a cada 2000 anos mais ou menos, de 2000 a.C. ao ano zero foi a era de Áries, e hoje vivemos a passagem da Era de Peixes para a Era de Aquário. Isso existe mesmo, não é (só) coisa de hippies.
Johannes Kepler tentou fazer uma correspondência entre as órbitas dos planetas e os sólidos platônicos, como forma de entender as distâncias entre eles. Teve relativo sucesso, encontrando apenas cerca de 5% de erro em alguns casos. Disse o seguinte sobre isso:
“Nunca poderei descrever em palavras a satisfação que obtive com essa descoberta. O trabalho não me deixa cansado. Não evito nenhum cálculo, por mais difícil que seja. Fiquei dias e noites calculando.”
Por outro lado, anos mais tarde, como astrônomo real, estava incumbido de produzir calendários, indicando os signos, os dias dos santos, a ocorrência de eclipses e conjunções, etc. Deixou registrado que essa atividade era…
“…pouco mais nobre que a mendicância.”
Além de astrônomo, Kepler era o maior matemático da época, a ponto de inventar o cálculo integral nas horas vagas, a partir de uma pequena curiosidade sobre o volume de um barril de vinho. Seu conceito de grandeza “infinitesimal” estava tão à frente de seu tempo que precisou ser redescoberto décadas depois.



sou apaixonado nessas continhas de milhões, ano-luz, século-wi-fi, quintilhões... isso me faz me sentir ainda menor do que acho que realmente sou. Ok, minha autoestima está baixa. O fato é que sou tão apaixonado por isso que desenvolvi uma teoria que explico no decorrer da obra OS SANTINHOS, na Amazon. Não vou entregar qual o capítulo está. Mas, está lá! Se tiver um tempinho, Alex, dá uma lida e me diga se podemos desenvolver um artigo científico juntos ;)